Nome:
Local: São Bento do Una, Pernambuco, Brazil

Alceu Paiva Valença. Filho de Adelma e Décio.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Alceu Valença no Palermo Groove em Buenos Aires

Com mais de três décadas de carreira dedicadas à música brasileira – em especial a de Pernambuco -, e passagens marcantes em diversos palcos do Brasil e do exterior, o cantor ALCEU VALENÇA se apresenta pela primeira vez em Buenos Aires, no Palermo Groove, domingo, dia 30 de outubro, às 19h.

Alceu Valença traz para a Argentina o mesmo show que arrebatou um público seleto nos festivais de Montreux (Suíça), Córsega e Montpelier (França) e Milão (Itália). Um espetáculo que dialoga com a multiplicidade de gêneros musicais do sertão e do litoral pernambucano - desde baião, embolada e xote até frevo, ciranda e maracatu - e se estende às influências do pop, do samba, do blues e do rock.

O repertório destaca canções de grande sucesso em todo o Brasil - “Tropicana”, “Anunciação”, “Pelas Ruas que Andei”, “Belle Du Jour”, “Táxi Lunar”, “Como Dois Animais”, “Coração Bobo” - composições que percorrem desde as estradas de barro do Brasil profundo às avenidas pop das sonoridades contemporâneas.

Nascido entre o agreste e o sertão, Alceu Valença conheceu na infância as expressões que lançaram as bases de sua arte: a música dos cantadores, emboladores, violeiros, aboiadores, dos cegos e suas cantigas de feira, dos cordelistas que escreveram em versos a epopéia do nordeste brasileiro.

Deste universo, o cantor incorpora os baiões, forrós e xotes dos clássicos de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro – “Vem Morena”, “Xote das Meninas”, “Sabiá”, “O Canto da Ema”. O próprio Luiz Gonzaga, o rei do baião, comparava a música de Alceu a “uma banda de pífanos elétrica”, formação típica das pequenas retretas do interior, de influência lusitana e mourisca.

Do sertão para o litoral, Alceu Valença apresenta um módulo de frevos, cirandas e maracatus. Marcado por orquestrações para saxes, trombones e trompete junto ao ritmo sincopado herdado do cruzamento entre a música européia e os ritmos africanos metabolizados no Brasil, o frevo é a trilha sonora da folia pernambucana.

São temas de Luiz Bandeira (“Voltei, Recife”), Clídio Nigro (“Hino do Elefante”), J. Michiles (“Me Segura senão eu caio”), além de composições próprias como “Bicho Maluco Beleza" e “Frevo da Lua”, que ano a ano arrebatam as multidões de Recife e Olinda, no melhor carnaval do Brasil.

Na seara pop, Alceu flerta com o rock em “Perdeu o Cio”, dialoga com o samba e o funk em “FM Rebeldia”, e transcende os limites entre o sertão e a megalópole na “Embolada do Tempo” - uma granada rítmica e poética sobre o senhor das horas que “não tem fim nem começo, mesmo virado ao avesso não se pode mensurar”.

Alceu Valença canta no Palermo Groove ao lado de Paulo Rafael (guitarra), Mauricio Oliveira (baixo), Tovinho (teclados), Cássio Cunha (bateria), Edwin (percussão).

Imprensa:
Julio Moura – (55) 21-32081243 / 21-96441202
juliomoura@alceuvalenca.com.br / www.alceuvalenca.com.br

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A volta da Luneta

Alceu Valença conclui as filmagens de seu primeiro longa-metragem em Nova Jerusalém, no Agreste de Pernambuco


Dois anos depois de realizada a etapa inicial de "A Luneta do Tempo", Alceu Valença volta ao agreste de Pernambuco para concluir a filmagem de seu primeiro trabalho como diretor de cinema. A segunda e última fase da filmagem acontece entre 10 e 14 de outubro, em Nova Jerusalém.

A partir de 10 de outubro e ao longo de toda a semana, o site www.alceuvalenca.com.br disponibilizará vídeos e informações sobra atual etapa de filmagens de "A Luneta do Tempo". Os vídeos poderão ser conferidos também no Facebook e no twitter de Alceu Valença (@Alceu_Valenca).

Serão cinco dias de filmagem para as seqüências finais do Circo Mazola, com o desfecho de uma trama temperada por amor, cordéis e cangaço. Além das cenas do circo – ambientadas num cenário de batalha entre cangaceiros e volantes -, serão gravadas quatro músicas, ao vivo, compostas por Alceu especialmente para o filme.

O personagem central desta etapa é o artista circense Severo Filho, vivido por Ari de Arimateia - jovem cantor, sanfoneiro e ator, que estreia no cinema com A Luneta do Tempo. Participam também Tito Lívio, Magdale Alves, Ana Claudia Wanguestel, Ceceu Valença, Charles Theony, entre outros. Alceu Valença recria, ele mesmo, o palhaço Velho Quiabo, personagem conhecido daqueles que acompanham sua carreira desde outros carnavais. Irandhir Santos e Hermila Guedes interpretam Lampião e Maria Bonita.

Em sua primeira fase, entre novembro e dezembro de 2009, "A Luneta do Tempo" foi rodada nas regiões de São Bento do Una, Belo Jardim, Cimbres e Pesqueira, no Agreste do Estado de Pernambuco.

Coincidentemente, Alceu conclui seu filme no mesmo local em que fez sua primeira participação no cinema, como ator de “A Noite do Espantalho”, dirigido por Sergio Ricardo, em 1974.

A Luneta do Tempo tem estreia prevista para o primeiro semestre de 2012. A fotografia é de Luis Abramo e a direção de arte de Moacir Gramacho. Alceu Valença assina a direção e o roteiro. A produção é da Focus Films.

Fotos: Antônio Melcop

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

AGALOPADO – Alceu Valença no Marco Zero (PE)


Consagrado no Brasil e no exterior como um dos artistas mais representativos da cultura pernambucana, ALCEU VALENÇA apresenta sua vertente mais pop no show AGALOPADO, no palco do MARCO ZERO. O espetáculo acontece no sábado, dia 15 de outubro, e integra a programação da Virada Cultural de Recife.

Desde que recriou o show Vivo! (com o repertório do cultuado álbum dos anos 70), com raras e concorridas apresentações em São Paulo e no Festival de Inverno de Garanhuns, no primeiro semestre deste ano, Alceu tem reincorporado sua faceta mais underground, pilar do cruzamento entre o pop/rock e as sonoridades do Pernambuco profundo, que formatou os movimentos iniciais de sua obra.

Músicas como Agalopado, que dá título ao show, e Anjo de Fogo - ambas lançadas no disco “Espelho Cristalino” (1977) - ou Você pensa, de “Vivo” (1976), ganham arranjos pungentes e mantém o sentido de urgência e o clamor de transformação sem os quais sequer poderiam ser concebidas ou recriadas. Canções que permanecem míticas para gerações de seguidores, mas que há tempos galopavam distanciadas dos palcos em que Alceu se apresenta.

Combinando passado e futuro no presente do indicativo, o show incorpora composições mais recentes, porém com espírito semelhante ao da trincheira setentista. Transcende os limites entre o sertão e a megalópole em canções como Embolada do Tempo - o senhor das horas que “não tem fim nem começo, mesmo virado ao avesso não se pode mensurar” –, No Tempo em que me Querias e Ai de Ti, Copacabana, todas do disco “Na Embolada do Tempo” (2005).

Nesta dinâmica, as principais vertentes do compositor cultivam diálogo permanente: Anunciação, Coração Bobo e Cavalo de Pau expressam a mística do agreste e do sertão. Solidão e Na Primeira Manhã evidenciam as agruras do amor urbano, contemporâneo. Tropicana e Como Dois Animais unem o forró ao pop, com a acentuação rítmica comum ao xote e ao reggae. Música para celebrar.

Pelas Ruas que Andei e La Belle Du Jour cantam a capital pernambucana - sua sedutora geografia, a mágica hospitaleira de sua gente, a sofisticação de seus símbolos e de sua cultura. Em Juazeiro, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, Alceu encontra um improvável elo entre as cantigas de adjunto no sertão e as canções dos plantadores de algodão no sul dos Estados Unidos, que deram origem ao Blues. Bobo da Corte, Girassol e Táxi Lunar complementam o mosaico no palco predileto de Alceu. Em qualquer vertente, o Marco Zero é a sua casa.

Alceu Valença se apresenta ao lado de Paulo Rafael (guitarra), Mauricio Oliveira (baixo), Tovinho (teclados), Cássio Cunha (bateria) e Edwin (percussão).

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Alceu Valença traz de volta à cena o show Vou Danado pra Catende

Apresentação ganhou temporada nos anos 1970 e deu origem ao disco Vivo!

ESTADO DE MINAS - Domingo, 21 de Agosto de 2011
Mariana Peixoto - EM Cultura (Foto: Caterine Vilardo)

Alceu Valença tem projeto de DVD e documentário sobre o show que marcou a contracultura nacional “Gravamos com dois microfones, um amarrado no outro. Um voltado para os músicos, outro para a plateia. Eu me vestia de homem-sanduíche e, ao lado de Zé da Flauta, saía pelas ruas divulgando o show.” Assim Alceu Valença descreve a temporada de dois meses que, em 1976, resultou no disco Vivo!. Durante dois meses, ele apresentou no Teatro Tereza Rachel, no Rio, o show Vou danado pra Catende, que se tornou cultuado álbum. Na época, o músico de São Bento do Una, agreste pernambucano, ainda não havia estourado nas rádios (o que só ocorreu a partir da década de 1980, com Tropicana e Coração bobo). “Era um rock absolutamente brasileiro, pois até então o que se via muito eram colagens. Não sabiam como classificar, então diziam que era forrock, pois tinha uma postura de rebeldia também, contra a ditadura”, conta Alceu hoje, aos 65 anos.

Vivo! poderia ter ficado guardado, não fosse o projeto Álbum, do Sesc/Belenzinho, em São Paulo, que o convidou para refazer o show durante três noites de março. Outros músicos que já participaram do mesmo projeto paulistano são Egberto Gismonti e Naná Vasconcelos (com o disco Dança das cabeças); Edvaldo Santana (Lobo solitário); Paralamas do Sucesso (Selvagem?); e Nação Zumbi (Da lama ao caos, que rodou o país).

O reencontro de Alceu com sua memória ocorreu em outras duas ocasiões. Em julho, no Studio SP, reduto da música independente na Rua Augusta, e outra no Festival de Garanhuns. A ideia é não parar por aí. Existe a possibilidade de uma temporada carioca de Vivo!, show no Recife e passagem por outras capitais. Há ainda o projeto de DVD, com documentário sobre o show e o disco, além do registro da temporada de 2011. Material de arquivo não falta, já que Alceu recebeu de antigos vizinhos de Olinda cenas em Super-8 gravadas durante o Vivo! original.

Contracultural por excelência, Alceu, na época muito distante do artista das massas de hoje, cantava “Não quero esse dedo/ No rosto de Pedro/ Nem quero pra Paulo/ O peso da cruz”, versos de Pontos cardeais que miram diretamente contra o período repressivo. Pois 35 anos depois, Alceu se surpreendeu com a quantidade de jovens cantando junto. No noite do Studio SP, casa que comporta 500 pessoas, um número muito maior ficou do lado de fora. “Fui esperando encontrar o público de 50 anos, que viu o show na época. Mas não. A maioria era muito jovem, barbudo, cabeludo, moças quase hippies. Parecia a plateia do Tereza Rachel.” Em enquete realizada recentemente no site do músico (www.alceuvalenca.com.br), Vivo! foi o mais votado pelos fãs como o trabalho que gostariam de ver em cena. Em Garanhuns, festa popular para 70 mil pessoas, a reação foi outra. “Teve muito matuto perguntando: ‘Alceu Valença vai cantar música dele não?’”

Os arranjos são exatamente os mesmos da década de 1970. “Nunca ando atrás de moda, e aqueles arranjos são modernos, eternos. Música e letra fazem parte de um todo, que mistura agressividade e ternura.” São apenas oito faixas, o máximo que o LP comportou. Edipiana nº 1 e Papagaio do futuro contam com a participação de Zé Ramalho. Outros nomes que estiveram com ele no show original foram Zé da Flauta e Paulo Rafael. Em março, quem participou foi Lula Côrtes, que morreu poucos dias depois do show, sua última aparição pública (em julho foi homenageado por Alceu no evento em Garanhuns). O trio esteve ao lado de Alceu no Festival Abertura, em 1975, apresentando Papagaio do futuro. “Era uma música inclassificável, tanto que inventaram o prêmio pesquisa para a gente”, conclui Alceu.

Reedição em CD

Ainda não é a vez de Vivo!, mas a obra da primeira fase da carreira de Alceu Valença começa a ser reeditada. Quadrafônico (1972), disco dele em parceria com Geraldo Azevedo (é o álbum de estreia de ambos), acabou de ganhar edição em CD pela Microservice (que está trabalhando no acervo da gravadora Copacabana). Gravado durante algumas madrugadas em São Paulo, Quadrafônico tem no repertório músicas como Talismã, 78 rotações e Virgem Virgínia. Os arranjos são do mestre tropicalista Rogério Duprat.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Alceu em Mimoso do Sul (ES)

Na embolada do forró de todos os tempos, Alceu Valença prepara o matulão repleto de xotes, maracatus, baiões, rojões, xaxados, cocos e emboladas para reacender a fogueira das festas populares brasileiras no 14º Festival de Sanfona e Viola de São Pedro do Itabapoana, em Mimoso do Sul (ES), dia 30 de julho, a partir das 23h, com entrada franca.

Em seus shows de forró, Alceu apresenta uma faceta mais agrestina e identificada com suas origens musicais. Sucessos como “Coração Bobo”, “Cabelo no Pente”, “Anunciação”, “Sol e Chuva”, “Táxi Lunar”, “Como Dois Animais”, “Pelas Ruas Que Andei”, “Tropicana” revestem-se em versões onde a sanfona resfolega nos decibéis das guitarras e o zabumba nocauteia a fuleiragem estética. Forró pesado.

O espetáculo celebra os mestres supremos do gênero: Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro – tão obrigatórios nas festas juninas quanto a canjica e o quentão. De Gonzaga estão “Juazeiro”, “Baião”, “Xote das Meninas”, “Sabiá” e “Vem Morena”. Do repertório de Jackson vem “O canto da Ema” e “Casaca de Couro”, esta incorporada à canção homônima de autoria do próprio Alceu.

E já que a fogueira queima em homenagem ao santo padroeiro das festas de arraial, Alceu apresenta a nova “São João”, composta para seu filme “A Luneta do Tempo”, rodado no Agreste brasileiro:“A chama de nossa vida está sempre em combustão / nas festas do mês de junho / salve meu rei do baião / salve o povo brasileiro / salve Jackson do Pandeiro / a toada e o rojão”, reverencia a letra.

Foi através de uma de suas primeiras composições que Alceu Valença conheceu Jackson do Pandeiro nos anos 70. Munidos de violões, os então desconhecidos Alceu e Geraldo Azevedo bateram à porta do ídolo, dispostos a convidá-lo a participar do Festival Internacional da Canção. Ao escutar “papagaio do Futuro”, Jackson tossiu fumaça de gasolina: “esta é a embolada do século XXI!” – exclamou. Dias depois, o papagaio decolava para todo o Brasil no palco do Maracanãzinho.

Já Gonzaga, Alceu encontrou depois de ter sido apresentado ao sucesso. Num show no Recife, foi surpreendido ao ver Luiz tomar lugar na Platéia. Gelou em pleno verão pernambucano: “o que ele vai achar de meu baião com guitarra?”. Ao fim do espetáculo, Luiz veio abraçá-lo: “É uma banda de pife elétrica!”, exultou o filho de Januário que logo gravaria uma música de Alceu, “Plano Piloto”, feita para Brasília.

Alceu Valença se apresenta ao lado de Paulo Rafael (guitarra), Mauricio Oliveira (baixo), Tovinho (teclados), Cássio Cunha (bateria), Chico Ceará (sanfona), Edwin das Olindas e Pica-Pau (percussão).

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Alceu "VIVO", no FIG

Cantor recria show antológico dos anos 70 e homenageia Lula Côrtes, na companhia de Paulo Rafael e Zé da Flauta

Montado no futuro indicativo de sua embolada do tempo, Alceu Valença atravessa a ponte entre o passado e o presente com uma apresentação exclusiva do lendário show VIVO! no Festival de Inverno de Garanhuns, quinta, 14 de julho.

O show faz parte da programação de abertura do Festival, em homenagem ao multiartista Lula Côrtes, cuja última apresentação pública aconteceu em março deste ano, na recriação do show VIVO!, no Sesc Belenzinho, em São Paulo.

Ao lado de companheiros históricos como Zé da Flauta e Paulo Rafael, Alceu revisita em VIVO! canções que marcaram o início da sua carreira, como “Papagaio do Futuro”, “Sol e Chuva”, “O Casamento da Raposa com o Rouxinol”, “Descida da Ladeira”, “Pontos Cardeais” e “Vou Danado pra Catende”.

Lula, Zé e Paulinho participaram do Festival Abertura de 1975, quando “Vou Danado pra Catende” explodiu as trincheiras da MPB e abriu o caminho para a temporada original de VIVO! realizada sob o signo da contracultura em 1976. O show foi registrado num cultuado LP que tornou-se um marco da música brasileira moderna, num culto intemporal e independente das imposições do mercado.

Em enquete no site www.alceuvalenca.com.br, os internautas escolheram VIVO! como o trabalho de Alceu que eles mais gostariam de ver novamente em cena. Em sua temporada 2011, o show foi apresentado no Sesc Belenzinho e no Studio SP (com transmissão em tempo real pela web). Além de Zé da Flauta e Paulo Rafael (guitarra), a trupe de VIVO! é integrada por Mauricio Oliveira (baixo), Tovinho (teclados), Cássio Cunha (bateria) e Edwin (percussão). VIVO! VIVO! VIVO!

1976 - Enquanto o mundo se rende à crise do Petróleo e os brasileiros compreendem que o milagre econômico não passa de um diabólico jogo de cena político, Alceu Valença mostra o quanto é Vivo! no palco do Teatro Tereza Raquel, no Rio.

Com temas repletos de metáforas políticas e existenciais, alinha rock com sons agrestinos e deflagra sua urgência pela liberdade de expressão com um pontapé certeiro na hipocrisia e no conformismo. Terno de vidro costurado a parafuso para quem fuma e tosse fumaça de gasolina.

Os anos 70 cristalizam as conquistas da geração 68 e legitimam os movimentos libertários deflagrados na década anterior. A Pop Art colore um mundo politicamente congelado pela Guerra Fria que cospe fogo na África e no Vietnã. A classe média assiste TV a cores enquanto as ditaduras mantém suas veias abertas por toda a América Latina. Um especialista em softwares de última geração cria uma empresa chamada Apple – sem imaginar que planta uma revolução.

A trupe de Vivo! divulga seu espetáculo pelas areias de Ipanema, munida de cartazes, instrumentos e um sentido comunitário típico da época. O jovem de barba e cabelos compridos, que puxa a fila com um megafone não mão, há pouco virava de pernas pro ar o Festival Abertura, da TV Globo. Sua Vou Danado pra Catende afugentara os espíritos da MPB carcomida pela ferrugem estética.

Agora tudo o que ele expressa é Vivo! Com a participação musical de expoentes da contracultura do Nordeste, como Zé Ramalho, Paulo Rafael, Zé da Flauta e Lula Côrtes, o espetáculo configura um ritual profano que atrai adeptos no limiar entre a atitude política e a mobilização underground.

Canções como Papagaio do Futuro, Sol e Chuva, O Casamento da Raposa com o Rouxinol, Descida da Ladeira, Pontos Cardeais, Você Pensa, Edipiana e Punhal de Prata serão, mais que hinos de uma geração corajosa, obras que não se curvarão ao tempo, revigoradas a cada nova leva de jovens que as descobrirem. Sem medo de quebrar a mesa e sem voltar atrás.

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2011 - Alceu Valença possui mais de cinco milhões de discos de vendidos ao longo de três décadas de carreira. Suas apresentações lotam praças e casas de espetáculo no Brasil e no mundo. Suas palavras e canções mobilizam multidões.

O Brasil é uma república democrática em ascensão no mundo globalizado. Aquele especialista em Software transformou sua maçã na maior empresa do planeta e sua tecnologia impulsiona a vida de bilhões de pessoas.

A comunicação acontece de forma multifacetada e a liberdade de expressão é condição inegociável para as gerações que crescem com a internet. Ditadores são depostos pela pressão popular e líderes mundiais debatem como salvar o planeta. Impérios desmoronam, outros se reinventam. Quem é Vivo! segue seu curso.

De olhos bem abertos para os movimentos contemporâneos, Alceu recria o show Vivo! com tudo o que este tem de permanente.

Em uma renovada turnê, acompanhada de documentário, CD e DVD, ele evoca a mística dos anos 70 para transcender à sua própria embolada do tempo.

A seu lado, novos e velhos companheiros de música. À sua frente, o futuro indicativo de mais e melhores dias para diversas gerações. Quem sabe, sabe. Quem não sabe, sobra.

Julio Moura
juliomoura@alceuvalenca.com.br

terça-feira, 14 de junho de 2011

São João 2011

Na embolada atemporal do mês de junho, Alceu Valença prepara o matulão repleto de xotes, maracatus e baiões – além de rojões, xaxados, cocos, emboladas – e põe novamente o pé na estrada para reacender a fogueira das festas populares. A turnê Nordeste de São João 2011 passa por Recife (quarta, 22 de junho), Aracaju (sexta, 24), Salvador (sábado, 25) e João Pessoa (domingo, 26).

Nos shows de São João, Alceu apresenta uma faceta mais agrestina e identificada com suas origens musicais. Sucessos como “Coração Bobo”, “Cabelo no Pente”, “Anunciação”, “Sol e Chuva”, “Táxi Lunar”, “Como Dois Animais”, “Pelas Ruas Que Andei”, “Tropicana” revestem-se em versões onde a sanfona resfolega nos decibéis das guitarras e o zabumba nocauteia a fuleiragem estética. Forró pesado.

A turnê celebra os mestres supremos do gênero: Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro – tão obrigatórios nas festas juninas quanto a canjica e o quentão. De Gonzaga estão “Juazeiro”, “Baião”, “Xote das Meninas”, “Sabiá” e “Vem Morena”. Do repertório de Jackson vem “O canto da Ema” e “Casaca de Couro”, esta incorporada à canção homônima de autoria do próprio Alceu.

E já que a fogueira queima em homenagem ao santo padroeiro das festas de arraial, Alceu apresenta a nova “São João”, composta para seu filme “A Luneta do Tempo”, rodado no Agreste brasileiro:“A chama de nossa vida está sempre em combustão / nas festas do mês de junho / salve meu rei do baião / salve o povo brasileiro / salve Jackson do Pandeiro / a toada e o rojão”, reverencia a letra.

Foi através de uma de suas primeiras composições que Alceu Valença conheceu Jackson do Pandeiro nos anos 70. Munidos de violões, os então desconhecidos Alceu e Geraldo Azevedo bateram à porta do ídolo, dispostos a convidá-lo a participar do Festival Internacional da Canção. Ao escutar “papagaio do Futuro”, Jackson tossiu fumaça de gasolina: “Não gostava de cabeludos, mas esta é a embolada do século XXI”. Dias depois, o papagaio decolava para todo o Brasil no palco do Maracanãzinho.

Já Gonzaga, Alceu encontrou depois de ter sido apresentado ao sucesso. Num show no Recife, foi surpreendido ao ver Luiz tomar lugar na Platéia. Gelou em pleno verão pernambucano: “o que ele vai achar de meu baião com guitarra?”. Ao fim do espetáculo, Luiz veio abraçá-lo: “É uma banda de pife elétrica!”, exultou o filho de Januário que logo gravaria uma música de Alceu, “Plano Piloto”, feita para Brasília.

Alceu Valença apresenta seu São João ao lado de Paulo Rafael (guitarra), Mauricio Oliveira (baixo), Tovinho (teclados), Cássio Cunha (bateria), Chico Ceará (sanfona), Edwin das Olindas e Pica-Pau (percussão). Todos os shows tem entrada franca.

Alceu Valença no São João do Nordeste:
Dia 22 (quarta) – Recife (PE) – Sítio da Trindade - 23h
Dia 24 (sexta) – Aracaju (SE) – Forró Caju – 23h
Dia 25 (sábado) – Salvador (BA) – Terreiro de Jesus - 22h30
Dia 26 (Domingo) – João Pessoa (PB) – Ponto de Cem Réis - 21h30

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Show "VIVO"! Transmissão em tempo real no Studio SP - 9/06, às 23h!

Cantor recria show antológico dos anos 70 que une rock com sonoridades agrestinas com transmissão em tempo real pelo site www.shownaweb.com

Montado no futuro indicativo de sua embolada do tempo, Alceu Valença atravessa a ponte entre passado e presente com uma apresentação exclusiva no Studio SP, em São Paulo na quinta, dia 9 de junho, às 23h. O show será transmitido em tempo real pelo site www.shownaweb.com.

Ao lado dos históricos companheiros Zé da Flauta e Paulo Rafael, Alceu recria os melhores momentos do show Vivo!, de 1976, que expressa sua face mais roqueira e underground. No palco, revisita canções que marcaram o início de sua trajetória artística, como “Papagaio do Futuro”, “Sol e Chuva”, “O Casamento da Raposa com o Rouxinol”, “Descida da Ladeira”, “Pontos Cardeais” e “Vou Danado pra Catende”.

O show foi registrado num cultuado álbum em vinil que o tempo tratou de tornar um marco da música brasileira moderna, influenciando gerações num culto intemporal e independente das imposições do mercado. Numa enquete recentemente elaborada para o site de Alceu, Vivo! foi escolhido pela maioria como o trabalho do cantor que os internautas gostariam de ver novamente em cena.

Depois de três apresentações antológicas no Sesc Belenzinho, em março de 2011 (com as derradeiras participações do inesquecível multiartista Lula Côrtes), a trupe de Vivo! está de volta à estrada. Além de Alceu, Zé da Flauta e Paulo Rafael (guitarra), ela é integrada por Mauricio Oliveira (baixo), Tovinho (teclados), Cássio Cunha (bateria) e Edwin (percussão).

ALCEU VALENÇA VIVO no STUDIO SP
Quinta, 9 de junho – 23h
Rua Augusta, 591 – Tel. (11) 3129-7040

sábado, 4 de junho de 2011

Alceu no "Festival das Águas" em Brasília

Alceu Valença está de volta a Brasília para participar do Festival das Águas, neste sábado, 4 de junho, na Concha Acústica do Lago Paranoá – com entrada franca.

O evento compõe a "Semana do Meio Ambiente", promovida pela Caesb Ambiental e Ibram, e inclui palestras, fóruns de discussão e projetos de educação ambiental, além da exposição Oportunidades Ambientais: Sustentabilidade, emprego e renda.

A questão ambiental é uma constante na obra de Alceu desde seu primeiro disco (“Molhado de Suor”, 1974), e reverbera ao longo de sua carreira em canções como “Dente de Ocidente”, “Desprezo”, “Espelho Cristalino”, “Papagaio do Futuro”.

Montado no futuro indicativo da canção popular, Alceu Valença transita entre o cosmopolita e o regional, o contemporâneo e o permanente. Seu show reúne as principais vertentes musicais de um artista capaz de reciclar os diversos gêneros da MPB, em canções que impulsionam o Brasil profundo para além da aldeia global.

Do sertão e do agreste, recria os mestres Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro em baiões, xotes e cocos atemporais como “Vem Morena”, “Baião”, “o Canto da Ema”, “Sabiá”, “Xote das meninas”. Do agreste para o litoral, o frevo e o maracatu abrem caminho para o “Bicho Maluco Beleza” desfilar pelas ladeiras históricas de Olinda.

"La Belle Du Jour" e “Pelas Ruas que Andei” cantam a capital pernambucana - sua sedutora geografia, a mágica hospitaleira de sua gente, a sofisticação de seus símbolos e de sua cultura. Sua produção atual redimensiona as raízes do Brasil na “Embolada do Tempo”, e segue o itinerário urbano em “Ai de Ti, Copacabana”.

Dentre os grandes sucessos do compositor, que unem gerações e ultrapassam fronteiras, estão onipresentes “Tropicana”, “Anunciação”, “Como dois animais”, “Cavalo de Pau”, “Solidão”, “Bobo da Corte”, “Estação da Luz”, “Casaca de Couro”, “Girassol”, “Na primeira manhã", “Solidão”, “Coração Bobo”, “Táxi Lunar”.

Alceu se apresenta no Festival das Águas com Paulo Rafael (guitarra), Mauricio Oliveira (baixo), Tovinho (teclados), Cássio Cunha (bateria) e Edwin (percussão).

Alceu Valença no Festival das Águas
Sábado, 4 de junho – 23h
Concha Acústica – Lago Paranoá – Entrada Franca

terça-feira, 17 de maio de 2011

Alceu Valença no "Arraiá da Fundição"


Alceu Valença participa do Arraiá da Fundição Progresso, no Rio, sexta, dia 3 de junho, a partir de meia-noite, com promoção da rádio MPB FM. Prestes a dar início à sua turnê nacional de São João, o cantor prepara o matulão repleto de xotes, maracatus, baiões, rojões, xaxados, cocos, emboladas – e põe novamente o pé na estrada para reacender a fogueira das festas populares.

A cada vez que as festas juninas se aproximam Alceu recicla sua faceta mais agrestina, completamente identificada com suas próprias origens musicais. Sucessos como “Coração Bobo”, “Cabelo no Pente”, “Anunciação”, “Sol e Chuva”, “Táxi Lunar”, “Como Dois Animais”, “Pelas Ruas Que Andei”, “Tropicana” revestem-se em versões onde a sanfona resfolega nos decibéis das guitarras e o zabumba nocauteia a fuleiragem estética. Forró pesado.

E já que a fogueira queima em homenagem ao santo padroeiro das festas de arraial, Alceu apresenta a nova “São João”, composta para seu filme “A Luneta do Tempo”, rodado no Agreste brasileiro: “A chama de nossa vida está sempre em combustão / nas festas do mês de junho / salve meu rei do baião / salve o povo brasileiro / salve Jackson do Pandeiro / a toada e o rojão”, reverencia a letra.

A turnê celebra ainda os mestres supremos do gênero: Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro – tão obrigatórios nas festas juninas quanto a canjica, o milho verde e o quentão. De Gonzaga estão “Juazeiro”, “Baião”, “Xote das Meninas”, “Sabiá” e “Vem Morena”. Do repertório de Jackson vem “O canto da Ema” e “Casaca de Couro”, esta incorporada à canção homônima de autoria do próprio Alceu.

Foi através de uma de suas primeiras composições que Alceu Valença conheceu Jackson do Pandeiro nos anos 70. Munidos de violões, os então desconhecidos Alceu e Geraldo Azevedo bateram à porta do ídolo, dispostos a convidá-lo a participar do Festival Internacional da Canção. Ao escutar “Papagaio do Futuro”, Jackson tossiu fumaça de gasolina: “esta é a embolada do século XXI”. Dias depois, o papagaio decolava para todo o Brasil no palco do Maracanãzinho.

Já Gonzaga, Alceu encontrou depois de ter sido apresentado ao sucesso. Num show no Recife, foi surpreendido ao ver Luiz tomar lugar na Platéia. Gelou em pleno verão pernambucano: “o que ele vai achar de meu baião com guitarras?”. No final, Luiz veio abraçá-lo: “É uma banda de pife elétrica!”, exultou o filho de Januário.

Estas e outras histórias estão no livro que Alceu prepara cuidadosamente entre o Leblon e Olinda ou a cada cidade em que leva seu show ao lado da trupe formada por Paulo Rafael (guitarra), Tovinho (teclados), Mauricio Oliveira (baixo), Cássio Cunha (bateria) e Edwin das Olindas (percussão). A Próxima parada: Arraiá da Fundição, Rio de Janeiro.


ARRAIÁ DA FUNDIÇÃO com ALCEU VALENÇA

Sexta-feira, dia 3 de junho de 2011
Rua dos Arcos, 24, Lapa – Rio de Janeiro
Tel.: (21) 2220-5070
Início do show: Meia-noite
Classificação etária: 18 anos
Capacidade: 4000 pessoas

INGRESSOS: De R$ 20 (meia*) até R$ 60 (inteira)


IMPRENSA - Alceu Valença
Julio Moura - (21) 9644-1202 - juliomoura@alceuvalenca.com.br

IMPRENSA - Fundição Progresso
Paula Gomes (21) 2220-5070 - paula@fundicaoprogresso.com.br
Anna Carolina Braz (21) 2532.2128 ou 8729-5358 - anna@solmaiorcomunicacao.com.br

quarta-feira, 20 de abril de 2011

O Forró Vivo

Vejo com muito bons olhos – olhos atentos de quem há décadas observa os movimentos da cultura em nosso país – a iniciativa do Secretário de Cultura do Estado da Paraíba, Chico César, de “investir conceitualmente nos festejos juninos”, segundo comunicado oficial divulgado esta semana. Além de brilhante cantor e compositor, Chico tem se mostrado um grande amigo da arte também como um dos maiores gestores da cultura desse país.

A maneira mais fácil de dominar um povo – e a mais sórdida também – é despi-lo de sua cultura natural, daquilo que o identifica enquanto um grupamento social homogêneo, com linguagens e referências próprias. Festas como o São João e o carnaval, que no Brasil adquiriram status extraordinariamente significativo, tem sido vilipendiadas com a adesão de pretensos agentes culturais alienígenas mancomunados com políticas públicas mercantilistas sem o menor compromisso com a identidade de nosso povo, de nossas festas, e por que não, de nossas melhores tradições, no sentido mais progressista da palavra.

Sempre digo que precisamos valorizar os conceitos, para que a arte não se dilua em enganosas jogadas de marketing. No que se refere ao papel de uma secretaria ou qualquer órgão público, entendo que seu objetivo primordial seja o de fomentar, preservar e difundir a cultura de seu estado, muito mais do que simplesmente promover eventos de entretenimento fácil com recursos públicos. É preciso compreender esta diferença quando se fala de gestão de cultura em nosso país.

Defendo democraticamente qualquer manifestação artística, mas entendo que o calendário anual seja largo o suficiente para comportar shows de todos os estilos, nacionais ou internacionais. Por isso apóio a iniciativa de Chico em evitar que interesses mercadológicos enfiem pelo gargalo atrações que nada tem a ver com os elementos que fizeram das festas juninas uma das celebrações brasileiras mais reconhecidas em todo o mundo.

Lembro-me que da última vez que encontrei o mestre Luiz Gonzaga, num leito de hospital, este me pedia aos prantos: “não deixe meu forrozinho morrer”. Graças a exemplos como o de Chico César, o velho Lua pode descansar mais tranquilo. O forró de sua linhagem há de permanecer vivo e fortalecido sempre que houver uma fogueira queimando em homenagem a São João.

Alceu Valença

quinta-feira, 31 de março de 2011

A última balada de Lula Côrtes



A antropofágica Comedoria do Sesc Belenzinho, em São Paulo, foi o palco das derradeiras apresentações públicas de Lula Côrtes, quinta, sexta e sábado da semana retrasada. Munido de seu tricórdio, Lula participou da reedição do show Vivo, de Alceu Valença, ao lado dos eternos companheiros de experimentações sonoras Paulo Rafael e Zé da Flauta. O revival se encerrou com a canção que proporcionou notoriedade ao grupo: “Vou Danado pra Catende”, lançada no Festival Abertura da TV Globo, em 1975, cuja seminal fusão de rock com sonoridades agrestinas pode ser conferida num videoclipe fácil de encontrar no You Tube.

Na noite de sexta, Lula puxou para si o microfone e esforçou-se para descrever aquele momento particular de eterno retorno. As lágrimas não o deixaram prosseguir com clareza, mas todos ali perceberam que elas reciclavam o gosto novo da vida ao autor de “Desengano”. O show terminou, os demais artistas deixaram o palco e Lula ali permaneceu, compartilhando com o público um bocado dos martírios e delírios loucos que vivenciamos. Alguém da plateia pediu a Lula que descesse do palco, para que fosse abraçado, acarinhado, acalentado por uma juventude de canto fosco que o libertava enfim do deserto desses abandonos.

De volta ao hotel, Lula convidou a mim e ao diretor de imagens Gustavo Caldas - que produz um documentário sobre Vivo - para acompanhá-lo em uma festa no Alto de Pinheiros, onde encontraria queridas fadas inspiradoras de versos perversos. Reunia-se aos seus para fazer as pazes com Deus, enquanto a força de sua canção se impunha nos auto-falantes, pela satisfação dos que se reencontram.

Ao regressarmos quase pela manhã, com tonéis de birita nas ideias, Lula gritava que queria ir para o Inferno, um barzinho cult na região da Augusta, porque lá quem mandava era o diabo. Negamos diligentemente a exigência, pegamos um viaduto e ele tentou abrir a porta do táxi em movimento, ameaçando impulsionar a si mesmo para além dos limites do veículo. A motorista, jovem e zen, permanecia impassível enquanto Lula recitava-lhe obscenidades poéticas. A menina sorria discreta e ele a convidava para subir despida ao palco na última noite de Vivo. Uma bailarina suja de óleo que sangrava um rio no meio do barulho dessa cidade.

Depois do último show, no sábado, saiu com seu produtor, Lulinha, a filha Luana e mais uma amiga. Fora tomar, finalmente, seu último drink no Inferno. Na volta, exibia radiante seu sorriso magro diante dos roadies, produtores, técnicos e músicos da banda, que exultavam: hei, hei, hei o Lula é nosso rei. Improvisava um gestual pornográfico para os insolentes Iphones que insistiam em registrar a embriaguez da fria madrugada paulistana.

Buscou a morte como um guerreiro em seu cavalo. No último fim-de-semana, passou uma cantada na Elizabeth Taylor dentro do táxi lunar que inadvertidamente os conduziu ao caminho oposto do inferno. Sugeriu-lhe que mantivesse abertos os olhos claros para o mar. Franziu a testa, retirou o suor do rosto cor de madrugada e confidenciou galante: a dor é o inverso do verso das fadas.

Julio Moura
julio_moura@terra.com.br

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Alceu Valença em João Pessoa


Alceu Valença leva a João Pessoa o mais completo show do carnaval de Pernambuco para celebrar os 18 anos do bloco Picolé de Manga, sexta, 25 de fevereiro, às 22h, na primeira noite da prévia carnavalesca Folia de Rua. O nome do bloco é inspirado em um dos versos mais emblemáticos do cancioneiro de Alceu: “Da manga rosa quero o gosto e o sumo”, do hit “Tropicana”, que será apresentado em sua versão frevo, turbinada pelo arranjo de metais do maestro Rodrigues.

Ao ritmo de frevo de rua, frevo de bloco, frevo-canção, coco, ciranda, maracatu, caboclinhos e outros gêneros da folia pernambucana, Alceu apresenta canções como “Bicho maluco beleza”, “Voltei Recife”, “Embolada do Tempo”, “Ciranda da Rosa Vermelha”, “Pirata José”, "De Janeiro a Janeiro", "Caia por cima de mim", “Roda e avisa”, “Pelas Ruas Que Andei”, além do novo "Frevo da Lua", em homenagem ao carnaval de Recife e Olinda.

O videoclipe do Frevo da Lua está disponível no Canal Oficial no YouTube - www.youtube.com.br/canalvalenca. As imagens foram captadas por Sérgio Bezerra durante vários carnavais nas ruas das duas cidades – em frente à casa de Alceu na rua de São Bento, no Alto da Sé, no Largo da Amparo, em Olinda, e no Marco Zero, no Recife. A edição é de Gilson Martins, da TV Viva.

A mais nova incursão de Alceu pelo gênero foi composta em parceria com Mauricio Oliveira (baixista da banda de Alceu) e Gabriel Moura, com arranjo do Maestro Duda: “É o frevo mais bonito que já gravei. Fico arrepiado quando o povo canta comigo: Lua tão linda, lua lua lua de Olinda / o sol abraça Recife, tá chegando o carnaval / lua lua lua linda”, exalta Alceu, que ensina o refrão ao vivo às platéias para que se apresenta, com adesão imediata do público.

Quem quiser aprender para cantar nos shows de carnaval junto com Alceu, pode baixar a gravação original do Frevo da Lua, disponível para download grátis no site www.alceuvalenca.com.br


Serviço:
Alceu Valença no Bloco Picolé de Manga
Sexta, 25 de Fevereiro – 22h
Rua Rodrigues Chaves, largo do posto Tropicana, Cordão Encarnado, Centro.
Grátis

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Alceu nas Virgens de Verdade


Alceu Valença antecipa o mais completo show do carnaval de Pernambuco, no Bloco Virgens de Verdade Abraça Brasil, Domingo, dia 20 de fevereiro, a partir das 10h, na Praça do Carmo, em Olinda. Alceu desfila pelas ruas da cidade a bordo de um trio elétrico, ao ritmo de frevo de rua, frevo de bloco, frevo-canção, coco, ciranda, maracatu e outros gêneros da folia pernambucana.

Acompanhado por sua banda acrescida de um naipe de metais, Alceu Valença interpreta canções como "Bicho maluco beleza”, “Voltei Recife”, “Embolada do Tempo”, “Ciranda da Rosa Vermelha”, “Pirata José”, "De Janeiro a Janeiro", "Caia por cima de mim", “Roda e avisa”, “Pelas Ruas Que Andei”, “Tropicana”, além do novo "Frevo da Lua", em homenagem ao carnaval de Recife e Olinda.

O clipe de Frevo da Lua está disponível no Canal Oficial do YouTube , no Facebook de Alceu e no twitter @Alceu_Valenca. As imagens foram captadas pelo cinegrafista Sérgio Bezerra durante vários carnavais nas ruas das duas cidades – em frente à casa de Alceu na rua de São Bento, no Alto da Sé, no Largo da Amparo, em Olinda, e no Marco Zero, no Recife. A edição é de Gilson Martins, da TV Viva.

A mais nova incursão de Alceu pelo gênero foi composta em parceria com Mauricio Oliveira (baixista da banda de Alceu) e Gabriel Moura, com arranjo do Maestro Duda: “É o frevo mais bonito que já gravei. Fico arrepiado quando o povo canta comigo: Lua tão linda, lua lua lua de Olinda / o sol abraça Recife, tá chegando o carnaval / lua lua lua linda”, exalta Alceu, que ensina o refrão ao vivo às platéias para que se apresenta, com adesão imediata do público.

Quem quiser aprender para cantar nos shows de carnaval junto com Alceu, pode baixar a gravação original do Frevo da Lua, disponível para download grátis no site www.alceuvalenca.com.br


Serviço:
Alceu Valença no Bloco Virgens de Verdade Abraça Brasil
Domingo, 20 de Fevereiro – 10h
Praça do Carmo – Olinda
Grátis

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

9 de fevereiro é o "Dia do Frevo"!


É preciso tomar medidas urgentes para não deixar morrer o cidadão frevo. Para quem se ressente da ausência do gênero nas rádios, convoco a fazermos um mutirão pelo frevo nas redes sociais como o twitter e o facebook.

Vamos todos postar músicas, letras, vídeos e outros links para celebrar o mais pernambucano e revolucionário estilo musical do carnaval brasileiro, em seus 105 anos de existência e resistência comemorados neste 9 de fevereiro.

Aproveito e compartilho com vocês o meu "Frevo da Lua". Para quem quiser baixar a versão completa da música, é só fazer o download no meu site >> www.alceuvalenca.com.br

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Alceu Valença no "Verão 2011" em Aracaju

Alceu Valença participa do Verão 2011, em Aracaju, sábado, dia 12 de fevereiro, no Palco Principal, na Praia do Atalaia, em frente à Praça do Caranguejo, com entrada franca, a partir das 22h. Na mesma noite se apresentam também Nando Reis e a banda sergipana Naurêa.

O show de Alceu Valença reúne todas as vertentes de um artista capaz de reciclar os diversos gêneros da MPB, em canções que impulsionam o Brasil profundo para além da aldeia global.

Enquanto o carnaval se aproxima, o frevo e o maracatu abrem caminho para o “Bicho Maluco Beleza”, o “Hino do Elefante” e a “Ciranda da Rosa Vermelha” pelas ancestrais ladeiras da Marim dos Caetés. Este ano, Alceu apresenta mais uma novidade: o novo “Frevo da Lua”, que exalta a festa de Olinda e Recife – disponível para download grátis no site www.alceuvalenca.com.br.

“La Belle Du Jour” e “Pelas Ruas que Andei” cantam a capital pernambucana - sua sedutora geografia, a mágica hospitaleira de sua gente, a sofisticação de seus símbolos e de sua cultura.

Do litoral para o sertão e do agreste, Alceu recria os mestres Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro em baiões, xotes e cocos atemporais como “Vem Morena”, “Baião”, “o Canto da Ema”, “Sabiá”, “Xote das meninas”.
Montado no futuro indicativo da canção popular, Alceu transita entre o urbano e o regional, o contemporâneo e o permanente. Sua produção atual redimensiona as raízes do Brasil na “Embolada do Tempo”, preserva sua identidade sonora em “Vai chover” e segue seu itinerário cosmopolita em “Ai de Ti, Copacabana”.

Dentre os grandes sucessos do compositor, aqueles que unem gerações e ultrapassam fronteiras musicais, estão onipresentes “Anunciação”, “Estação da Luz”, “Como dois animais”, “Girassol”, “Coração Bobo”, “Táxi Lunar”, “Tropicana”, esta com a tradicional saudação: Ô minha gente sergipana, eu quero teu sabor!

Alceu se apresenta ao lado de Paulo Rafael (guitarra), Mauricio Oliveira (baixo), Tovinho (teclados), Cássio Cunha (bateria) e Edwin (percussão), além de um naipe de três metais, especialmente para os números de frevo.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Alceu Valença - Verão 2011


Como costuma fazer todos os anos, Alceu Valença passa o verão 2011 em Olinda, entre o cheiro doce dos jasmineiros que emana da cidade lendária.

O cantor antecipa o carnaval no domingo, 20 de fevereiro, no bloco Virgens de Verdade Abraça Brasil, na Praça do Carmo, em Olinda. Alceu desfila pelas ruas da cidade a bordo de um trio elétrico, ao ritmo de frevo de rua, frevo de bloco, frevo-canção, coco, ciranda, maracatu e outros gêneros da folia pernambucana.

Acompanhado por sua banda, acrescida de um naipe de metais, Alceu interpreta canções como “Bicho maluco beleza”, “Voltei Recife”, “Embolada do Tempo”, “Ciranda da Rosa Vermelha”, “Pirata José”, "De Janeiro a Janeiro", "Caia por cima de mim", “Roda e avisa”, “Pelas Ruas Que Andei”, “Tropicana”, além do novo "Frevo da Lua", em homenagem ao carnaval de Recife e Olinda (disponível para download grátis aqui no site).

Antes disso, no dia 12 de fevereiro, Alceu participa do Festival de Verão de Acaraju, na Praia da Atalaia – com um show que une suas vertentes pop e agrestes, além dos gêneros carnavalescos tradicionais do período.

O carnaval de Pernambuco será tema do programa Sarau da Globo News. No final de janeiro, Alceu, Geraldo Azevedo e o maestro Spok se reuniram com o jornalista Chico Pinheiro na Cachaçaria Carvalheira, em Recife para a gravação de um programa antológico, que vai ao ar no início de março.

Enquanto isso você curte aqui um momento festivo de Alceu e Geraldo, diretamente da Casa dos Morcegos, em Olinda, numa farra improvisada, logo depois da gravação do Sarau. Os parceiros interpretam descontraidamente o samba “Pressentimento”, de Elton Medeiros e Herminio Bello de Carvalho numa noite típica do verão em Olinda:

domingo, 5 de dezembro de 2010

Uma Nação Solidária

Fiquei muito impressionado com as manifestações do pessoal que me segue no twitter (@Alceu_Valenca) a propósito do conflito urbano que presenciamos na última semana no Rio de Janeiro. Em nosso mais recente bate-papo, quarta passada, cujo tema era PAZ, propus a seguinte questão: “O que seria uma nação solidária para você?”. Lanço agora, no Papagaio do Futuro, algumas das melhores respostas dos tuiteiros e estendo a pergunta a você que me lê no blog.

Como você imagina uma nação solidária?

Sem preconceitos, tomara!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Aniversário de Santa Bárbara (MG)

Estarei de volta a Minas para comemorar o Aniversário de Santa Bárbara, sábado, 4 de dezembro, a partir das 21h, no centro da cidade que comemora 306 anos de fundação. A barroca Santa Bárbara está localizada em um dos pontos de maior relevância turística na Estrada Real – o circuito do Ouro – na Serra da Caraça, a 105 KM de Belo Horizonte.

Me apresento na festa da tricentenária Santa Bárbara acompanhado por meus músicos Paulo Rafael (guitarra), Mauricio Oliveira (baixo), Tovinho (teclados), Cássio Cunha (bateria) e Edwin (percussão).

A entrada é franca. Vejo vocês lá!!!

Abraço!

sábado, 9 de outubro de 2010

Anjo Avesso



Para quem acompanha Alceu Valença no site e também pelo Twitter e Facebook, disponibilizamos este vídeo da turnê de Anjo Avesso (1983), gravado ao vivo em São Paulo. Na banda estão Zé da Flauta, Paulo Rafael (guitarra), Marcio Miranda (teclados), Jorge Degas (baixo), Jurim Moreira (bateria) e Firmino (percussão). A canção "Anjo Avesso", composta por Carlos Fernando, é um dos primeiros frevos gravados por Alceu Valença. Mais uma do baú de raridades de Alceu exclusivo para seus fãs. Acessem e compartilhem!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Vou Danado pra Catende



Ainda na série das preciosidades, apresentamos o musical "Vou Danado pra Catende", gravado ao vivo para o Fantástico, em 1975, com a mesma formação que participou do Festival Abertura, na TV Globo, naquele mesmo ano. Diante do impacto da apresentação, o júri se viu forçado a premiar aqueles então desconhecidos cabeludos pernambucanos e, sem saber exatamente como defini-los, criou na hora o prêmio Pesquisa para contemplar Alceu e sua trupe. Paulo Rafael, Ivinho, Israel Semente e Agrício integravam o grupo Ave Sangria, legendários da contracultura do Recife. Lula Côrtes, Zé Ramalho e Zé da Flauta haviam acabado de gravar o disco "Paebiru", pedra fundamental do experientalismo lisérgico no nordeste dos anos 70.

Tempos em que o sol era vermelho como um tição e se debruçava voraz sobre a casa das caiporas.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Para quem gosta de raridades, o site de Alceu Valença oferece aos fãs um presente inédito há mais de três décadas.

Captado em Super 8 por Lelê Oliveira, o filme de cinco minutos mostra imagens antológicas de Alceu numa divulgação pra lá de informal do show Molhado de Suor, na primavera de 1974.



São cenas raras de Alceu e seus amigos – entre eles Carlos Fernando, Wilson Lyra, Mago Henrique, além do irmão Decinho Valença – na praia em frente ao Píer, no bar Veloso de Ipanema, na Feira Hippie da Praça General Osório. A narração é de Lelê Oliveira, entremeada com o áudio de Alceu na estreia do show, no Teatro Ipanema.

Munido de um megafone, Alceu começava a reverberar sua arte para o mundo.

É só clicar e viajar na embolada do tempo.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

As Vozes da Pintura

Encontrei um texto feito por Ferreira Gullar por ocasião do lançamento de meu disco “Estação da Luz”, de 1985. Na época, eu pedi a dez artistas plásticos de Olinda que fizessem pinturas tendo as canções do álbum como tema ou, em alguns casos, criei músicas a partir de determinados quadros. As pinturas acompanhavam o encarte do LP – que, com sorte, é possível encontrar nos sebos. O texto abaixo, que reproduzo no blog, vai como uma homenagem aos 80 anos de Gullar (completados no dia 10 de setembro) e aos 25 de Estação da Luz. Desfrutem.

AS VOZES DA PINTURA
Ferreira Gullar

Juntar Pintura e música neste disco não é uma “bolação” de Alceu Valença. É mais que isso: é o resultado de uma identificação de Alceu com os pintores e com a pintura, e corresponde por outro lado ao caráter abrangente e integrador desse poeta-cantor nordestino que quer cantar – e canta – por sua gente toda e por tudo o que ela sonha, sofre e cria.

Não por acaso, são todos eles pernambucanos, em que Alceu se inspirou – ou nele se inspiraram – para, de uma nova maneira, misturando sons e cores, rimas e figuras, melodia e paisagens, nos mostrarem Recife, Olinda, um universo cultural em que o Brasil não cansa de se alimentar. E que riqueza gráfica e pictórica surge assim desse conjunto de dez obras, tão diversas e tão afins em sua diversidade. A densa e dramática poesia da gravura de João Câmara revela os arquétipos da civilização pernambucana que, de um outro modo, vibra nas cores e nos arabescos de Virgulino. É um mundo contemporâneo e arcaico que, se é feérico em Virgulino, adquire em Marcos Amorim o mistério das formas que a memória reconstrói.

Outra dimensão da fantasia alcança Marcos Cordeiro em sua cena de carnaval plasticamente elaborada. Desse mundo arquetípico passa-se ao devaneio poético de Tiago Amorim, um poema marinho, de sonho e atualidade, a mesma atualidade que ressuma nos vermelhos e amarelos dos cajus de Sérgio Lemos, a voz tropical que se mistura à do próprio Alceu cantando a chuva e a tarde azul. Essa atualidade é plasticamente transfigurada em Paulo Burscky, como é sensual na expressão apurada de Delano. Uma síntese do arcaico e do novo, da caatinga e da cidade, é a figura de cangaceiro inventada por Aprígio, em vermelho e sépia. E todo esse mundo pernambucano vira casario e festa na pintura de Zé Son – uma vista de Olinda – que inspirou ao compositor uma canção e que talvez o tenha inspirado também a fazer essa mistura reveladora de pintura e música que temos agora em mãos.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Andar, andar

Nunca gostei de escrever datado. Porque o mundo, vasto mundo, muda a cada instante. Certa vez, caminhando pelo Rio de Janeiro, escrevi a canção Andar, Andar. Revendo a letra, composta pouco antes das primeiras eleições presidenciais realizadas no país após a ditadura, senti que seu lado político representava um Brasil de poucas perspectivas – onde existia um fosso incomensurável entre ricos e pobres.

Tenho andado pelo Brasil e me emocionado em constatar que o país mudou. Vejo Pernambuco e o Nordeste crescendo. Vejo o Brasil pulsando. Vejo o abismo social reduzido de uma maneira contundente, promissora, como uma luz no fim do túnel. Precisamos continuar a andar, andar.


Eu compus essa canção
Andando de Ipanema
Para o Baixo Leblon
Procurando te encontrar
No meu Rio de Janeiro
Eu compus esta canção
Andando de Ipanema
Para o Baixo Leblon
Feito um cão abandonado
Como o povo brasileiro
Andar, andar
Nas ruas do Rio
Do Rio de Janeiro
Dezembro, abril
"A todo mundo eu dou psiu
perguntando por meu bem"
Ainda resta um assobio
Um desejo, nada além
Tudo vira desejo
Desejo de te encontrar
Conjugação de desejos
Nascendo do verbo amar
Amor de amar
Céu de anil
Serra do Mar
Meu pau-brasil
Somos filhos de um só ventre
Dessa terra mãe gentil
E as elites nos dividem
Como vai mal meu Brasil
E tudo vira desejo
Desejo e nada mais
Brasil, nação de desejos
Na triste praça da paz

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Coexistir

Convivência de contrários. Respeito por todas as opiniões sem necessariamente deixar de lado suas proprias ideias. Adoro meus adversários e acredito piamente neles quando se contrapõem a mim com convicção. Lendo nos jornais a matéria sobre o boicote de artistas de vários países a Israel, me lembrei de um poema que escrevi aos dezoito anos sobre radicalismos e religiões:
“Quando a senhora de preto me enlaçar docemente nos seus braços gélidos
E meu corpo for pouco e pouco se consumindo pelo chão que me foi dado
Quero evaporar-me docemente e subir aos céus
Os parentes e amigos estarão indóceis à sala de espera
Beijarei um a um, trocarei a camisa suada e sairei para uma volta nos arredores
Verei negro americano de braços dados com donzelas de descendência nórdica
Verei árabes e judeus discutindo amigavelmente sobre a bolsa do Senhor
E depois de percorrer todas as dependências do paraíso
Chamarei o chaveiro em particular e, mui confidencialmente, lhe confessarei
Pedro, meu velho, aqui tem o dedo de Marx”

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Garanhuns e Guararapes

                                                           Foto: Divulgação

Amigos, acabamos de voltar de Garanhuns onde fizemos um show apoteótico na abertura do Festival de Inverno. É sempre bom voltar a Garanhuns, onde morei na infância e fui aluno do Colégio Diocesano, na época dirigido por um parente, o padre Adelmar da Mota Valença. Atualmente, é uma cidade grande e belíssima que abriga um dos mais importantes festivais de inverno de todo o Brasil. 

E esta semana cantarei ao lado de Elba e Geraldinho no teatro Guararapes, em Recife, com renda totalmente revertida para os desabrigados da Mata Sul de Pernambuco. Quero todo mundo lá, neste Grande Encontro da Solidariedade!

Maiores informações para as doações, acesse meu site.
www.alceuvalenca.com.br

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Minas são muitas...


Foto: Nathália Tôrres                                                                  

O show que realizamos em Ouro Preto, na abertura do Festival de Inverno e comemoração dos 312 anos da cidade, foi absolutamente catártico, osgarmático. O frio era intenso, mas a plateia me aqueceu e eu esquentei o público. Aliás, parecia que não existia palco nem plateia, tamanha a integração entre o artista e os espectadores. O Brasil mediterrâneo, ibérico, afroameríndio pulsava no coração tambor de todos nós.



E ainda passamos momentos pra lá de agradáveis ao lado de meu compadre Paulo Rogério Lage, o secretário de cultura de Ouro Preto, Chiquinho de Assis, o curador do evento Rodrigo Toffolo e a ala mineira que participou do meu filme: o diretor de fotografia Luis Abramo, meu assistente de direção Felipe Fernandes, os câmeras Etti e Tião, além do cineasta José Joffily - paraibano, com os dois pés no coração do Brasil. É como dizia Guimarães Rosa: Minas são muitas.

domingo, 27 de junho de 2010

Minha gente sergipana, eu quero seu sabor!

 
Fotos: Arthur Soares

"Foi uma verdadeira apoteose nossa participação ontem no Forró Caju. A cada ano, o evento está melhor, mais organizado e o público mais quente. Foram duas horas de pura catarse entre palco e plateia e até o prefeito Edvaldo Nogueira fez uma participação tocando uma zabumba arretada no final do show. Eu nem sabia que o homem tocava bem daquele jeito.

São João é isso: xote, xaxado, baião, rojão, xamego, xerém. São João tem um quê que as outras festas não tem.  Um abração ao Fernandinho e a todo povo do Forró Caju. Ô minha gente sergipana / eu quero teu sabor!"

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Bahia, terra da felicidade!

Acabo de voltar do São João da Bahia, um show inesquecível na Praça Castro Alves diante do sempre caloroso público de Salvador. Me lembrei de quando estive aqui pela primeira vez, ainda estudante, em 1968, e de como eu gostava de perambular pelas ruas antigas, observando os casarios antigos e cantarolando um velho samba de Ary Barroso: "Bahia, terra da felicidade / morena eu ando louco de saudade".

Fotos: Rita Barreto


E o São João segue em frente. Amanhã cedo embarcamos para Pernambuco, onde nos apresentaremos em Aliança. No dia seguinte, é a vez do sempre aguardado Forró Caju, em Aracaju.

sábado, 19 de junho de 2010

São João na estrada

Nosso São João já está na rua. Neste novo show, creio que conseguimos realizar um novo conceito de forró, desde suas raízes mais profundas - a partir de elementos como a sanfona, o zabumba, o triângulo e o agogô - aliadas ao peso das guitarras resultando numa sonoridade ao mesmo tempo moderna e atemporal. Estou partindo daqui para a turnê nacional e nunca estive tão entusiasmado.
O show estreou em Caruaru, semana passada. Fiquei impressionado com a estrutura, uma das melhores que já vi, ao lado do Forró Caju. Tudo absolutamente organizado: luz de primeira, camarotes fantásticos, palco muito bem montado e o calor da gente do Agreste.

Ontem, dia 18, fomos à Feira de São Cristóvão, tradicional reduto nordestino no Rio de Janeiro e fizemos a festa. Sábado estaremos em Brasília e no domingo zarpamos para o Sambódromo Anhembi, em Sampa. Quero todo mundo lá!


Público na Feira de São Cristóvão, RJ (Foto: Caterine Vilardo)

quinta-feira, 10 de junho de 2010

E o São João 2010 começou!

Foi ótimo participar do São João de Caruaru sábado passado, dia 5 de junho. Uma das melhores estruturas que já vi, ao lado do Forró Caju, em Aracaju. Tudo absolutamente organizado: luz de primeira, camarotes fantásticos, palco muito bem montado.

Foi a estréia de nosso show de São João versão 2010, onde realizamos um novo conceito de forró, desde as raízes percussivas mais profundas, aliadas a guitarras e sanfona em uma concepção ao mesmo tempo moderna e atemporal. Já fui convidado a gravar dois DVDs de São João para o ano: um em Caruaru, outro em Aracaju.


Estou partindo daqui para a turnê nacional e nunca estive tão entusiasmado. A próxima parada é no Sítio da Trindade, no meu querido Recife, neste sábado dia 12. Espero todo mundo lá!

sexta-feira, 12 de março de 2010

Carnaval sem igual...

Eis que o carnaval se foi deixando saudades e espalhando alegrias. Este ano fizemos dois shows por dia, do centro histórico de João Pessoa ao Fortim de Olinda, do Galo da Madrugada ao Marco Zero, passando pelo encontro dos maracatus rurais de Nazaré da Mata, por Goiana e Timbaúba. Aqui você acessa alguns dos melhores momentos do Carnavalença 2010, registrados pelas lentes de Sergio Bezerra. Uma dica: não deixem de assistir ao vídeo no Canal Valença. Quem disse que Lula não foi ao Galo?

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Frevo da Lua

Já é quase carnaval. E como o cinema está em recesso - se bem que eu permaneço assistindo diariamente aos copiões do filme, ajeitando diálogos, criando novos temas para a trilha - resolvi cuidar da música. Esta semana gravei uma nova composição para o carnaval: o "Frevo da Lua", feito em parceria com Mauricio Oliveira e Gabriel Moura, saudando a festa de Olinda e Recife. Ele já começa a invadir as rádios, as ruas, as multidões do meu Pernambuco e do meu Brasil. Quem frequenta o blog, claro, sai na frente. E escuta em primeira mão. Os dez primeiros visitantes a baixar e comentar o "Frevo da Lua" ganham um CD exclusivo com direito a dedicatória e algumas das minhas composições carnavalescas. Faça o download aqui!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A Volta da Luneta

Depois de um relativamente longo e bastante auspicioso período de filmagens da Luneta do Tempo, voltamos à carga neste blog. Agradeço a paciência de quem me acompanha neste espaço e sei que vocês estão ansiosos por boas novas. Eis que elas surgem implacáveis e me proporcionam o prazer de compartilhá-las com vocês. Filmamos durante seis semanas no Agreste de Pernambuco, na região da minha São Bento: Fazenda Riachão, Sítio Olhos d´Água (de meu primo Delio Valença), Pedreira do Galego, a incrível Pedra Furada e os 365 degraus que levam a seu topo, a vila de Cimbres dos índios Xukurus. Foi um processo belíssimo, mas também árduo, que demandou o esforço e a generosidade de nossa intrépida equipe. Fizemos uma interrupção para o período de verão e partiremos em março para a etapa final da filmagem. O resultado vocês vêem no fim do ano. E já que o tempo não tem parada, quem acompanha este blog terá acesso a imagens de making of, fotografias, músicas, histórias da filmagem e outros ....

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Brasil Novo Tempo 2

Desde o início da minha carreira, botei o pé na estrada. Conheço o Brasil de cabo a rabo. Me doía ver a miséria berrante da maior parte de nossa gente . Quase sempre negros, caboclos, quase sempre nordestinos.
Mês passado, ao viajar, em busca de locações para a Luneta do Tempo, pelo interior do agreste de Pernambuco (São Bento, Pesqueira, Alagoinha, Cimbres), me comovi vendo que os lugares por onde passei estão caminhando para um nível de vida mais digno. As cidades estão mais limpas, as casas bem pintadas, as praças ajardinadas, o povo mais feliz. Elza Cataldo, cineasta mineira que viajou conosco, comentou: “Nunca pensei em encontrar o interior do nordeste assim: tudo tão bonitinho. O povo vivendo com dignidade...”.
Tenho consciência que precisamos avançar muito mais, sobretudo, na educação e na saúde. Cada vez mais acredito no Brasil e em nossa gente. E você?

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Brasil Novo Tempo

Demorou, mas chegou. Um novo tempo. A base está solidificada, o terreno adubado. Conseguimos resistir, por décadas, à toda sorte de colonialismo, intempéries sociais, econômicas e políticas. Saímos fortalecidos, mais maduros, sabendo, inclusive, que o processo está no início e que, portanto, precisamos continuar trilhando esse novo caminho. Nossa diplomacia começa a se mostrar independente. Viva Celso Amorim! O cara tem cara de gente boa, boníssima. Não vejo em seu rosto nenhum sinal de arrogância. O mundo se fragmentou e as hegemonias se deterioraram. Não precisamos mais seguir a cartilha de ninguém. Agora negociamos com países africanos, árabes, europeus e asiáticos sem ” tutor” e sem chancela de ninguém. Nos aproximamos da França, numa inteligente e saudável estratégia. Alegria, minha gente, alegria. Allons enfant de la patrie...

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O filme - parte 3

Cordel Virtual ou a Luneta do Tempo é um musical que não segue a linha de nenhum musical tradicional. No fundo, é um mergulho que faço em minha infância, no meu passado e este passado tem a trilha sonora das ruas do Nordeste, dos cantadores anônimos, coquistas, violeiros, emboladores, cegos arautos de feira, da música de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, do samba-canção dos anos 50, da música contemporânea brasileira. Um documento para se pensar a cultura do Brasil e do Nordeste. Vivemos um tempo em que as referências estão submetidas ao dinheiro e a modelos descartáveis. A arte está virando apenas um negócio e isso me preocupa. Tenho uma noção de que dinheiro não tem pátria e se a pátria não tem cultura, não há necessidade de pátria.
Mais algumas em São Bento do Una para vocês.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O filme - parte 2

Comecei a escrever um romance, até que um dia me encontrei com Waltinho Carvalho, que me perguntou se eu estava criando muito. Mostrei a ele um texto e ele disse: Isso é cinema. A partir daí, entramos em um projeto no Ministério da Cultura e eu comecei a transformar o romance em um roteiro cinematográfico. Conseguimos aprovar o projeto, mas captação é uma coisa muito complicada, sobretudo para quem não tem um lado comercial muito aguçado como eu. Não sei bajular ninguém nem pedir em causa própria. Finalmente conseguimos viabilizá-lo porque as pessoas foram chegando: os produtores Tuinho Schartz e Monica Botelho, a diretora-assistente Elza Cataldo, minha mulher Yanê Montenegro, entre tantas outras.
Seguem algumas fotos da nossa pré-produção.


domingo, 16 de agosto de 2009

O Cordel Virtual ou a Luneta do Tempo

Depois de dez anos tentando captar dinheiro para meu filme, Cordel Virtual ou a Luneta do Tempo, finalmente consegui levantar uma verba para rodá-lo no sertão de Pernambuco. Neste momento, estamos em fase de pré-produção aqui em Olinda. O que me mais motivou fazer um filme musical foi me debruçar sobre as nossas raízes. Este projeto nasceu de uma maneira supernatural. Após a morte de meu pai eu quis fazer um inventário de tudo o que ele e São Bento do Una me legaram. Personagens de minha infância, a música das feiras, os auto-falantes do Cine Rex invadiam minha cabeça e não me deixavam dormir. Mas me faziam sonhar.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Inaugurando o Papagaio do Futuro

Passo muito tempo pensando, questionando, tentando resolver os meus problemas e os problemas do mundo. Problemas éticos, políticos e culturais convivem comigo noite e dia. Sempre fui assim. Neste espaço falarei destas e outras questões, comentarei as notícias do dia a dia, jornal, TV, internet.

O artista é um homem diferente. Quando ele trabalha, as pessoas se divertem. Enquanto as pessoas trabalham, estou sozinho, falando com meus botões. Me criei ouvindo causos e os causos estão no mundo. É preciso apenas um olhar aguçado para perceber a sabedoria e o ridículo da vida. Eu sou eu e as minhas circunstâncias. Eu e o mundo que me cerca. Amplo, incomensurável. Assuntos não faltam e será um prazer ter vocês como interlocutores.

Estou montado no futuro indicativo. Quem sabe, sabe. Quem não sabe, sobra.